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48 Retratos Martinho Costa
Inauguração a 3 de Novembro às 19h Patente até 3 de Dezembro 5ª feira a Sábado, das 14h30 às 19h30
A Arte Contempo propõe-se divulgar as tendências emergentes no campo das artes visuais. Assim, promove um ciclo anual de exposições com jovens artistas portugueses, realizadas no seu espaço expositivo. A temporada em curso compreende, por um lado, exposições individuais com um artista, ou colectivas com vários artistas em simultâneo e, por outro lado, exposições produzidas em parceria com outras entidades ou personalidades. A exposição "48 Retratos" pretende dialogar directamente com a célebre série de pinturas com o mesmo nome, do artista Gerhard Richter. Os 48 retratos de Richter foram realizados em 1971/72 e apresentados pela primeira vez em 1972 no pavilhão da Alemanha, na Bienal de Veneza. Trata-se de 48 pinturas de média dimensão (70x55cm) a preto e branco, retiradas de imagens de enciclopédia. Representam 48 intelectuais europeus e americanos: filósofos, escritores, músicos, cientistas. Richter faz um processo de levantamento histórico. Mas esta espécie de índex enciclopédico em pintura é também um olhar muito pessoal e subjectivo sobre o que o autor considerou serem as figuras influentes, na sua maioria personagens do séc. XIX e todos eles homens e brancos. Há segundo Benjamin, H. D. Buchloh e Robert Storr*, como que uma procura por parte do pintor de uma espécie de autoridade paternal histórica. A exposição que se apresenta na Arte Contempo é composta por 48 pinturas de pequena dimensão (16x24cm). São representações de pessoas incógnitas retiradas de fragmentos de imagens encontradas na internet. Estes diferentes “retratos” têm em comum a percepção de uma dada actividade, uma forma involuntária de “índex” de diferentes personagens sociais. Todas elas estão camufladas por aparatos, máscaras ou objectos que dificultam a sua identificação individual. A conversão em pintura destes personagens indiferenciados tem a vantagem de convocar, por um lado, a frágil concepção de “actor social” na sociedade contemporânea e, por outro, apontar a natureza superficial de todas as categorizações sociais, em processo aberto de discussão. Assim, à convocação de um processo aleatório na selecção das figuras pintadas, por antinomia às escolhas de Richter, procura-se evidenciar a relatividade do legado das grandes figuras históricas, por contraponto a uma sociedade em mudança e sobre a qual pouco sabemos. A segunda parte da exposição é composta pela vídeo-animação 48 Retratos de Gerhard Richter. Trata-se de uma projecção vídeo de um fragmento retirado de uma fotografia do próprio Gerhard Richter nos anos 70. Nele, Richter interpela-nos com uma mão pronta a disparar uma máquina fotográfica. A repetição 48 vezes (2 segundos de vídeo) desta mesma imagem pintada, procura explorar e realçar o efeito surgido das inevitáveis pequenas diferenças que existem entre “fotogramas”. Esta proposta pretende estabelecer ligações com a obra de Richter, bem como com as ideias que lhe são (foram) associadas, de poder, de fama, de autoridade. O diálogo sugerido com esta obra em particular é também um diálogo com uma tradição maior: o retrato enquanto categoria, com história e genealogia próprias. Constante é a vontade de colocar em perspectiva o retrato enquanto representação dos traços específicos que formam a individualidade de uma pessoa. Propõe-se aqui o movimento contrário: representar a perda da individualidade num momento muito particular da nossa história.
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A “Arte Contempo” é uma associação cultural sem fins lucrativos, de iniciativa privada, cujo intuito é a difusão da cultura contemporânea. |