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Cecília Costa Cecília Costa (Caldas da Rainha, 1971) estudou Artes Plásticas na ESTGAD, nas Caldas da Rainha. O seu percurso expositivo é ainda curto, sem registo de qualquer exposição individual. Contudo, a sua produção revela já sinais de maturidade, que enunciam uma marca autoral. A participação na edição de 2004 da Bienal de Sidney, um dos mais importantes eventos a nível mundial, comprova-o. Assim, no âmbito do projecto “AC”, apresentam-se dois projectos seus, Les machines à plier (2001-2004) e S/ título (2004), contribuindo-se para a divulgação da sua obra e respectivo maior reconhecimento crítico, institucional e público. O corpo de trabalho de Cecília Costa assenta numa investigação, desenvolvida ao longo de vários anos, acerca da divisão das regiões do cérebro em direita e esquerda, da articulação desta problemática com os processos de construção da linguagem e dos modos como esta define tipologias de características humanas. Assim, a artista explora a diferença existente entre as zonas cerebrais e tradução destas em estados racionais e emocionais visíveis, por exemplo, nas expressões do rosto ou no desempenho de determinadas acções físicas ou intelectuais. Nota-se, então, uma preocupação em partir do colectivo para chegar ao individual, do geral de uma comunidade ao particular de uma pessoa. Les machines à plier iniciou-se com um ensaio efectuado, em 2001, a partir de um auto-retrato. O objectivo da artista era testar visualmente a divisão da face, uma experiência já inicialmente realizada recorrendo à foto-montagem. O perfil do rosto é assumido como a zona que o divide – ou dobra – ao meio. Esta área divisória é também uma território de identidade e, ao constatar o fracasso de encaixar o seu perfil no de outras pessoas, a artista decidiu fazer uma pesquisa no sentido de constituir grupos genéricos de perfis, materializando-os num conjunto de “máquinas”. Ao construir uma estrutura espelhada com um perfil no qual a cara pode encaixar, a artista permite ao espectador, assim, visualizar independentemente os dois lados do seu rosto e, consequentemente, atestar as suas diferenças. O resultado final define-se, então, como uma escultura a contemplar pelo espectador ou um objecto de que interage com o seu corpo, adquirindo uma dimensão fetichista que é reforçada pela utilização de materiais como o cetim. O núcleo de desenhos reflecte igualmente a relação entre dois corpos. Se a dobra divide o corpo ao meio, como é que este se relaciona consigo mesmo e como é que se articula com o exterior? Os desenhos constituiem teias de relações; com o complexificar destas, criam-se entidades relacionais. Os desenhos assentam, então, nas forças dos encontros com os desencontros, na possibilidades e impossibilidades de estabelecer contacto. Apesar de transformados em composições abstractas, o que estes desenhos retratam, de facto, é o mundo relacional de cada um de nós. Filipa Oliveira |
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A “Arte Contempo” é uma associação cultural sem fins lucrativos, de iniciativa privada, cujo intuito é a difusão da cultura contemporânea. |