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Jorge Santos

Jorge Santos (Silves, 1974) estudou Artes Plásticas na ESTGAD, nas Caldas da Rainha. O seu percurso expositivo é marcado por duas exposições individuais, Night Shadow, nas Caldas da Rainha, em 2001, e Now the Night is Closing, projecto inaugural de Galeria Graça Brandão, em Lisboa, em 2003. No âmbito do projecto AC, apresenta-se Autumn House (1998-2004), um diaporama iniciado em 1998 mas só agora concluído, contribuindo-se assim para a divulgação da sua obra e respectivo maior reconhecimento crítico, institucional e público.

Autumn House começou como um livro composto por imagens recortadas de revistas e por fotografias tiradas pelo artista. Após terminar de preencher todas as páginas, o artista sente que o projecto ainda estava incompleto. Decide então efectuar uma versão em diapositivos, a expor em dupla projecção. Este trabalho revelar-se-ia assim decisivo decisivo na sua produção, pois marcou o fim da criação em pintura e o início das suas pesquisas lumínicas. O físico da superfície pictórica transformava-se então no etéreo da luz associada à imagem projectada.

Tal como o próprio título o indica, o tema de Autumn House centra-se na ideia da casa. A sequência de imagens projectadas leva o observador a deambular por um espaço, a percorrê-lo infinitamente. Este consitui-se numa espécie de lugar sem lugar, pois existe apenas através do cruzamento da realidade fotografada com a imaginação daquele, assim transformado em elemento essencial à construção da própria obra, na medida em que é ele que arquitecta os significados suscitados pelo que vê.

Na dinâmica de Autumn House é igualmente fundamental a dimensão narrativa. Por um lado, tanto a concepção como o dispositivo cénico subjacentes à instalação remetem para a experiência do cinema e socorrem-se da linguagem cinematográfica. Por outro lado, as próprias vivências representadas assentam numa memória simultaneamente colectiva e individual, primeiro pela lógica comparativa implementada entre as casas onde o espectador vive ou que visita e a casa ficcionada e, depois, porque a casa ficcionada assenta nas recordações do próprio artista, situação sinalizada pelo aparecimento do seu perfil num par de ocasiões e única remissão para uma presença humana.

Filipa Oliveira

 

A  “Arte Contempo” é uma associação cultural sem fins lucrativos, de iniciativa privada, cujo intuito é a difusão da cultura contemporânea.